O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, desafiou nesta terça-feira (12) os pedidos para renunciar, dizendo a ministros que iria “seguir governando”. As declarações se deram apesar das “desestabilizadoras” últimas 48 horas marcadas pelo aumento das pressões para que o premiê anuncie um cronograma de saída após uma derrota contundente nas eleições locais.
Em reunião de gabinete, Starmer, no cargo há menos de dois anos, repetiu que, embora assuma responsabilidade por uma das piores derrotas eleitorais do Partido Trabalhista, não houve qualquer movimento oficial para desencadear uma disputa pela liderança. Diversos ministros aliados expressaram apoio ao premiê.
Foi a mais recente promessa de Starmer de seguir adiante com um governo marcado por escândalos e mudanças de rumo em políticas públicas desde que conquistou ampla maioria nas eleições nacionais de 2024. Na segunda-feira, ele prometeu agir de forma mais ousada para enfrentar os problemas do Reino Unido e tentar reforçar seu futuro político.
Em referência ao aumento dos custos de financiamento nos mercados devido ao temor de uma nova onda de instabilidade política no Reino Unido, Starmer afirmou que “as últimas 48 horas foram desestabilizadoras para o governo, e isso tem um custo econômico actual para nosso país e para as famílias”.
“O Partido Trabalhista tem um processo para contestar um líder, e isso não foi acionado”, disse Starmer, segundo seu gabinete em Downing Avenue. “O país espera que continuemos governando. É isso que estou fazendo e o que devemos fazer como gabinete”, prosseguiu.
Ao deixar Downing Avenue, vários ministros seniores demonstraram apoio ao premiê. O ministro Trabalho e Previdência, Pat McFadden, disse a jornalistas que ninguém havia desafiado Starmer na reunião de gabinete.
Outros nomes considerados favoráveis à saída de Starmer, incluindo o ministro da Saúde, Wes Streeting, e a ministra do Inside, Shabana Mahmood, deixaram o native sem comentar ou saíram por outra saída de Downing Avenue, onde repórteres estavam reunidos.
Alguns parlamentares do Partido Trabalhista que defendem que Starmer anuncie sua saída esperavam que um ministro de alto escalão renunciasse para aumentar a pressão.
Mantendo a pressão, vários parlamentares trabalhistas adicionais, incluindo uma secretária (chamada no Reino Unido de “ministra júnior”), pediram sua remoção nesta terça-feira. Mais de 80 parlamentares do partido já pediram publicamente que ele estabeleça uma knowledge de renúncia para permitir que a legenda escolha um novo líder de forma organizada.
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Estabilidade prometida desaparece
O cenário é muito diferente daquele de 2020, quando Starmer assumiu a liderança trabalhista depois do pior resultado eleitoral nacional do partido desde 1935 sob o comando de seu antecessor, o veterano esquerdista Jeremy Corbyn.
Na época, ele period visto como uma figura segura capaz de reposicionar o partido mais ao centro político.
Nas eleições de 2024, Starmer conquistou uma das maiores maiorias da história moderna do Partido Trabalhista com a promessa de estabilidade após anos de turbulência sob os conservadores, que tiveram cinco primeiros-ministros em oito anos e deixaram, segundo o governo trabalhista, um “buraco negro” nas finanças públicas.
Agora, o premiê luta por sua sobrevivência política.
Os mercados de títulos têm reagido de forma sensível a qualquer possibilidade de saída de Starmer e da ministra das Finanças, Rachel Reeves.
Investidores temem que um sucessor mais à esquerda pressione por mais gastos públicos em um momento em que as finanças britânicas já estão pressionadas, com custos de financiamento entre os mais altos do Grupo dos Sete países ricos (G7).
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Dificuldade para remoção de premiê trabalhista
“Não vejo como ele passa pelo dia”, disse à Reuters um parlamentar trabalhista sob condição de anonimato. “Se já estamos em mais de 70, o número dos que acham que ele deve sair mas ainda não se manifestaram publicamente é facilmente o dobro.”
Em geral, é mais difícil para parlamentares trabalhistas removerem um primeiro-ministro do que ocorre no Partido Conservador. Embora dezenas de deputados trabalhistas tenham demonstrado insatisfação com Starmer, 81 deles precisariam se unir em torno de um único candidato para desencadear uma disputa formal.
Dos que pediram sua saída, cerca de metade pertence à ala esquerda do partido, enquanto pouco mais de um quarto é mais centrista, segundo levantamento da Reuters. Isso sugere que ainda não existe um candidato capaz de reunir apoio suficiente.
Jenny Chapman, secretária do Desenvolvimento Internacional e África, afirmou que a maioria dos 403 parlamentares trabalhistas “não quer caos”.
A remoção de Starmer agora, ou a imposição de uma knowledge para sua saída, provavelmente favoreceria o ministro da Saúde, Wes Streeting, que está em posição de agir primeiro. Seus apoiadores afirmam que Streeting, ligado à ala direita do partido, seria um comunicador melhor que Starmer.
Outros possíveis desafiantes, como o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, e a ex-vice-primeira-ministra, Angela Rayner, enfrentam obstáculos para disputar a liderança, embora ambos os políticos sejam vistos como favoritos da ala moderada de esquerda do partido.
Burnham não possui atualmente o assento parlamentar necessário para lançar uma candidatura, enquanto Rayner ainda não resolveu completamente as questões fiscais que levaram à sua renúncia no ano passado.
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