A falta de espaço para novos empreendimentos virou um quebra-cabeça para as incorporadoras nos bairros mais valorizados de São Paulo. Em regiões como Jardins, Itaim, Pinheiros e Moema, terrenos livres são cada vez mais raros, e reunir imóveis vizinhos para formar uma área com potencial construtivo pode exigir anos de negociações.
Segundo Ricardo Carazzai, sócio da Quadra Actual Realty, especializada na prospecção de terrenos, o intervalo entre a identificação de uma oportunidade e a assinatura do contrato de venda leva, em média, 18 meses. Nos bairros mais adensados, o desafio é ainda maior.
“Na Vila Nova Conceição, por exemplo, praticamente não há mais casas ou comércios antigos que possam ser reunidos para formar um terreno. Por isso, as incorporadoras já estão comprando prédios inteiros para demolir”, afirma.
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Além da Vila Nova Conceição, Carazzai aponta outros endereços onde a disputa por espaço obriga as incorporadoras a adaptar suas estratégias. Nos Jardins, um dos mercados mais consolidados da capital, a escassez empurra os novos projetos para ruas até então menos cobiçadas.
“As construtoras estão buscando endereços menos badalados na região, como as ruas Augusta e Pamplona. No Itaim, onde também faltam áreas, temos visto surgir projetos-butique, erguidos em terrenos compactos”, explica.
Em Pinheiros, na Zona Oeste, o desafio assume outra configuração. Além da pouca oferta de terrenos de maior porte, a presença de numerosos imóveis tombados torna ainda mais complexa a formação de áreas para novos empreendimentos. Segundo Carazzai, a saída tem sido negociar casinha por casinha até conseguir um espaço adequado para receber um prédio de alto padrão.
É o caso do recém-lançado Almá Pinheiros, da SKR em parceria com a Munir Abbud. O condomínio ocupa um terreno de três mil metros quadrados, cuja formação levou quatro anos, em um trecho sem saída da Rua Alves Guimarães — localização que garante mais privacidade em meio à agitação do bairro.
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“É um endereço muito especial, protegido do trânsito e que termina na Escadaria das Bailarinas para a rua vizinha, grafitada por Eduardo Kobra. Teremos lojas da fachada ativa voltadas para ela, administradas pela Munir Abbud”, afirma Rodrigo Putinato, CEO da SKR, acrescentando que a conexão com o artista se estenderá ao empreendimento, cujo foyer terá um painel de 4,5 metros assinado por ele.
Com piscina de 25 metros no “rooftop” do 27º andar, academia e espaços de bem-estar, o Almá Pinheiros terá 145 apartamentos, de 85 a 150 metros quadrados, com duas e três suítes. O projeto é da aflalo/gasperini arquitetos, com interiores de Juliana Abbud e paisagismo da Tagú Arquitetura. Antes mesmo do lançamento, 35 unidades foram vendidas, em agosto, por R$ 18,4 mil o metro quadrado. A entrega está prevista para março de 2030.
Nos Jardins, a Benx Incorporadora aposta justamente em um ativo cada vez mais raro: um terreno de grandes proporções. Próximo à Avenida Paulista, o Autór Jardins ocupará uma área de 2,5 mil metros quadrados na Rua Guarará, cercada por restaurantes, cafés e lojas de grife. Com 150 metros e 42 andares, a torre única será a mais alta do bairro e terá 70 apartamentos de 188 a 488 metros quadrados. O projeto arquitetônico é da MCAA Arquitetos, com interiores de Vivian Coser e paisagismo do escritório Burle Marx.
No Itaim, a Trisul também investiu tempo para formar um terreno raro. Metade da área já pertencia ao “landbank” da incorporadora, e a outra parte, ocupada por uma academia, exigiu três anos de negociação até ser adquirida. O resultado é o Atílio 870, na esquina das ruas Atílio Innocenti e Chipre, com a Rua Silva Correia em frente. A configuração cria um corredor livre diante do edifício, favorecendo iluminação, ventilação e amplitude visible.
“É uma condição rara no bairro, que permite conciliar a intensidade urbana do Itaim com uma experiência de moradia mais reservada”, afirma Victor Saad, diretor Comercial e de Advertising and marketing da Trisul.
Com torre única, o Atílio 870 terá 28 apartamentos de 361 metros quadrados, um por andar, além de cobertura duplex de 722 metros quadrados. O projeto é da PSA Arquitetura, com áreas comuns de Gui Mattos e paisagismo de Rodrigo Oliveira.
No lazer, academia Technogym, quadra de tênis oficial, espaço “wellness” com sauna, salas de massagem, hidromassagem e “chilly plunge”, além de piscina com raia de 25 metros. Lançado em julho por R$ 36 mil o metro quadrado, já teve 30% das unidades vendidas. O VGV é estimado em R$ 373,5 milhões, com entrega prevista para 2030.
Para Saad, a escassez de bons endereços ganha ainda mais peso diante do aumento da oferta de imóveis de alto padrão na cidade.
“Com o grande quantity de lançamentos, o comprador está mais seletivo. Ele quer estar na região mais valorizada do bairro, sem abrir mão de tranquilidade, qualidade de vida e segurança. Esse equilíbrio também se tornou raro nos bairros mais nobres de São Paulo”, pontua.