Tuesday, February 17, 2026
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Ex-ministro da Ucrânia é acusado de lavagem de dinheiro em meio a escândalo de corrupção | Mundo

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A polícia anticorrupção da Ucrânia acusou nesta segunda-feira 16 um ex-ministro de Energia de ajudar a lavar propinas e esconder milhões no exterior, um dia depois de ele ter sido detido ao tentar deixar o país. O caso abalou o governo de Kiev em meio à guerra com a Rússia.

A prisão de German Galushchenko foi o primeiro desdobramento no caso de suborno apelidado de “Midas” e que paira sobre a política interna da Ucrânia desde o ano passado, atingindo o círculo íntimo do presidente Volodymyr Zelensky.

O caso gira em torno de um suposto esquema de propina de US$ 100 milhões na empresa nuclear estatal e envolveu figuras importantes, incluindo um parceiro de negócios pessoal de Zelensky. O escândalo já tinha também levado à demissão do poderoso chefe de gabinete de Zelensky.

Ao revelar as acusações contra Galushchenko, a agência anticorrupção da Ucrânia, NABU, disse que vem tendo o apoio de 15 instituições de outros países com o objetivo de ampliar o alcance das investigações.

Galushchenko foi ministro da Energia de 2021 a 2025 e, em seguida, brevemente como ministro da Justiça até se demitir em meio ao escândalo que eclodiu no ano passado.

Ele se torna um dos funcionários de mais alto escalão detidos no caso.

Galushchenko negou qualquer irregularidade. Ele não respondeu a uma mensagem solicitando comentários e a agência de notícias Reuters não conseguiu localizar um advogado que o representasse.

A NABU afirmou que mais de US$ 7 milhões foram transferidos para contas no exterior que tinham a esposa e os quatro filhos de Galushchenko como beneficiários, após terem sido lavados num complexo esquema offshore.

Parte do dinheiro foi gasto na educação dos filhos em escolas de elite na Suíça e outra parte foi colocada em “um depósito, do qual a família do alto funcionário recebia rendimentos adicionais e os gastava nas suas próprias necessidades”.

A agência anunciou no domingo que Galushchenko foi detido ao atravessar a fronteira, sem especificar onde ocorreu a detenção.

Os promotores de Justiça afirmam que o esquema tinha como objetivo pressionar os contratantes da empresa nuclear Energoatom a pagar subornos para concluir projetos de infraestrutura, incluindo estruturas para proteger instalações energéticas de ataques aéreos russos.

Uma informação anterior apontava que o plano foi organizado por um conhecido de Zelensky, Timur Mindich, que fugiu para Israel antes de ser preso em novembro.

Mindich fundou o estúdio de TV por trás do programa de TV que fez sucesso entre os ucranianos anos atrás e que tinha Zelensky como uma das estrelas. O atual presidente period ator antes de entrar na política. Ele negou qualquer irregularidade.

O caso parecia ter ficado meio esquecido desde novembro, quando um ex-vice-primeiro-ministro também foi preso e o chefe de gabinete de Zelensky, Andriy Yermak, renunciou. Mas os funcionários da NABU insistiram que as investigações prosseguiam.

O diretor da agência, Semen Kryvonos, disse à Reuters no início deste mês que os seus detetives estavam focados em levar adiante o caso, apesar da sua complexidade.

“Esse é o nosso principal objetivo neste caso. Não é propaganda, nem declarações bombásticas, mas sim um resultado actual”, afirmou.

Zelensky, eleito em 2019 com a promessa de limpar a política, conseguiu até agora contornar o escândalo, mas ainda pode ficar manchado se mais aliados seus aparecerem como suspeitos, disse o analista político Volodymyr Fesenko, de Kiev.

“Este caso é como uma mina com um rastilho retardado: ainda pode explodir, mas mais tarde, depois do fim dos combates.”

A popularidade pessoal de Zelensky sofreu um revés no ano passado, depois de ele ter tentado limitar a independência das agências anticorrupção. Ele acabou voltando atrás diante da grande repercussão negativa, com grandes protestos públicos e pressão dos aliados ocidentais.

O combate à corrupção é uma das principais exigências da União Europeia para admitir a Ucrânia como membro, um objetivo que Zelensky pretende consagrar nas negociações de paz para pôr fim à guerra.

No relatório de fim de ano divulgado na semana passada, a NABU afirmou ter instaurado 737 processos, nomeado 218 suspeitos, enviado 124 processos a tribunal e obtido 95 condenações em 2025.

Bandeira da Ucrânia — Foto: Andrew Kravchenko/Bloomberg
Bandeira da Ucrânia — Foto: Andrew Kravchenko/Bloomberg

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