Sunday, March 1, 2026
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Por que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã? Entenda os motivos de Washington e Teerã para o conflito | Mundo

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O início de um ataque neste sábado (28) realizado pelos Estados Unidos, em conjunto com Israel, sobre alvos no Irã, marca o ápice das tensões de uma relação complicada entre americanos e iranianos por décadas. Sob o pretexto de um acordo nuclear não firmado, o conflito entre os dois países possui raízes mais profundas de disputas regionais e manutenção de poder.

Em uma declaração neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que acabaria com uma ameaça à segurança dos EUA e ofereceria aos iranianos an opportunity de derrubar seus governantes. De forma semelhante, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque contra o Irã “criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome as rédeas do seu destino”.

Para além das palavras ditas hoje, os motivos do conflito entre EUA e Irã remontam à Revolução Islâmica em 1979, o ponto nevrálgico no estremecimento das relações entre EUA e Irã. Na época, uma das primeiras bandeiras levantadas pelo movimento revolucionário iraniano period o anti-imperialismo americano, o que ficou ilustrado no caso de diplomatas e cidadãos que foram mantidos reféns por manifestantes iranianos em um cerco à Embaixada dos EUA em Teerã durante 444 dias.

Desde então, uma série de críticas públicas, sanções econômicas e eventuais ações militares foram realizadas por governos dos dois países. O professor da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, Daniel Rio Tinto, explica que o conflito entre EUA e Irã permanece de forma ininterrupta há décadas, mas que a tensão retórica varia dependendo da situação.

“A administração do [ex-presidente dos EUA] Barak Obama conseguiu uma série de concessões do Irã adotando uma postura de maior parcimônia. Mas, para a administração do [atual presidente] Donald Trump, ações mais inflexíveis são interpretadas como demonstrações de força do governo”, diz Tinto.

Para o professor, period possível observar um “declínio da qualidade das relações e da confiança [entre EUA e Irã], que avançou com o aumento da narrativa de que um confronto bélico resolveria o deadlock entre os países”.

Essa visão é compartilhada pelo pesquisador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da UFF (NEOM-UFF), Rodrigo Ayupe, que descreveu as semanas anteriores ao estopim do conflito como um dos momentos mais tensos na relação entre EUA e Irã.

Os motivos dos EUA para o conflito

Uma vez que as relações instáveis entre os dois países se estendem por algumas décadas, Tinto explica que não é possível determinar uma única razão para desencadear um conflito bélico. O acordo nuclear entre Irã e EUA foi apontado nas últimas semanas como uma das principais razões para o conflito entre os países.

O objetivo period limitar o programa nuclear iraniano, para evitar o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo país persa. Oficialmente, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã não possui armas nucleares, apesar de não ser possível saber se há alguma atividade nuclear clandestina.

“Os EUA são contra a proliferação de armas nucleares e eles não gostariam que o Irã tivesse armas nucleares, mas isso seria diferente se eles estivessem uma relação mais amigável, como no caso dos EUA com a Arábia Saudita”, sugere Tinto.

Trump e Netanyahu em abril de 2025, em Washington — Foto: AP Foto/Mark Schiefelbein
Trump e Netanyahu em abril de 2025, em Washington — Foto: AP Foto/Mark Schiefelbein

A preocupação com possíveis armas nucleares de Irã também partiria de Israel e grupos pró-Israel dentro dos EUA, que pressionam o governo de Donald Trump para limitar o governo iraniano. “O objetivo de Israel é destruir o regime teocrata do Irã por causa da suposta ameaça nuclear”, diz Ayupe.

Outra situação que pode gerar preocupação nos EUA seria um eventual fechamento do estreito de Ormuz, ameaça feita ocasionalmente pelo Irã, e o impacto que isso teria no custo da energia international.

Tinto indica que uma eventual mudança no governo iraniano, para que entrasse um sistema mais favorável ao mundo ocidental, também seria benéfico para os EUA e poderia trazer uma maior “estabilidade energética” para o mundo.

Já Ayupe vai mais além e afirma que o Irã possui uma “influência poderosa no Oriente Médio”, tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico, já que China e Rússia são seus grandes aliados internacionais. Isso aumenta as preocupações americanas na região, uma vez que “ninguém sabe ao certo qual a capacidade militar e nuclear iraniana”.

No momento, o governo do Irã está enfraquecido por crises financeiras e tensões sociais, o que tornaria “oportuna” a derrubada do regime pelos EUA, avalia Ayupe, apesar de não ser algo tão simples, já que a estrutura governamental iraniana permite que o regime se reorganize caso ele não seja completamente removido do poder.

Os motivos do Irã para o conflito

No caso do Irã, um dos motivos para que não haja um recuo diante da retórica americana está nos esforços para a manutenção da teocracia atual. “Regimes autoritários frequentemente usam a ameaça externa como uma justificativa para a manutenção do seu poder”, explica Tinto.

O professor explica que, na prática, o “inimigo externo” é usado como ferramenta para despertar um apelo nacionalista, o que reduziria as diferenças de grupos internos em prol de uma luta contra supostos interessados no controle ou recursos naturais do país.

“O inimigo externo justifica o autoritarismo, porque ele convence várias partes de que há um inimigo mais urgente [do que os conflitos internos]”, diz Tinto.

No início do ano, o Irã passou por uma série de protestos populares contra o regime dos aiatolás. O movimento foi violentamente reprimido pelo governo native, resultando na morte de mais de 7 mil pessoas, segundo a Human Rights Activists Information Company.

Nesta foto obtida pela Associated Press, iranianos participam de um protesto antigovernamental em Teerã, Irã, na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 — Foto: (UGC via AP)
Nesta foto obtida pela Related Press, iranianos participam de um protesto antigovernamental em Teerã, Irã, na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 — Foto: (UGC by way of AP)

Ayupe explica que, na época das manifestações, “o governo chegou a falar que as manifestações eram uma conspiração de Israel e dos EUA para desestruturar o governo. Assim, um eventual ataque ocidental serviria como argumento para comprovar a narrativa do governo iraniano”.

Por outro lado, Ayupe acredita que o Irã estaria “tentando se esquivar de uma guerra mais efetiva”, isso porque o país passou por “uma série de humilhações desde 2023”, como a morte do chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, em um ataque feito por Israel em Teerã ou as derrotas enfrentadas por Hezbollah e Houthis, grupos apoiados pelo governo do país persa.

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