O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “erro” e “equívoco” o Parlamento Europeu ter levado o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia à Justiça. Lula, então, voltou a se defender das críticas feitas por agricultores europeus e disse que há “complementariedade” entre os blocos na agricultura.
“Esse acordo [Mercosul-UE] começa a funcionar a partir de 1º de maio de forma provisória, porque o Parlamento Europeu entrou com recurso na Justiça da União Europeia para tentar evitar, o que eu acho um erro, um equívoco muito grande do Parlamento Europeu”, disse Lula nesta terça-feira (21), enaltecendo as oportunidades que o tratado oferecerá às regiões e países.
Lula defendeu que os blocos não têm agriculturas competitivas, mas complementares. “É sempre uma bobagem achar que um vai acabar com a agricultura do outro. Não é assim que se faz comércio internacional”, comentou. “Queremos que nossa relação com a União Europeia seja a mais sofisticada possível.”
As declarações do chefe do Executivo brasileiro ocorreram em Lisboa, Portugal, em agendas que Lula cumpre hoje. Ele estava ao lado do primeiro-ministro do país, Luís Montenegro.
O primeiro-ministro defendeu o acordo e disse que ele promoverá um mercado mais fluido e fácil entre os blocos. “Portugal foi e é defensor intransigente”, comentou.
Em sua avaliação, a partir do acordo, o Brasil poderá se projetar de maneira mais objetiva e profunda na economia europeia. Em seguida, disse que Portugal será um “motor de aprofundamento” dessas relações.
Lula, então, agradeceu a ajuda de Portugal para avançar o acordo Mercosul-UE. “Agora sim conseguimos dizer, em alto e bom som, que Portugal pode ser a grande porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros”, disse.
O presidente contou que conversará com os ministérios de seu governo para conversarem com as indústrias para que parte das negociações que o Brasil fará com a União Europeia seja construída em Portugal. “Aí sim estaremos fazendo parceria seria e um jogo de ganha-ganha”, comentou.
“Não queremos apenas que Portugal seja a porta de entrada. Nós queremos que Portugal seja a porta da construção de uma parceria robusta”, disse o presidente.
O líder brasileiro disse que os dois países vivem seu “melhor momento” de relação. Nesse sentido, afirmou que conversará com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, mas comentou que o Brasil pode sediar uma próxima reunião da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
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