Friday, June 26, 2026
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Análise: Galípolo, o ‘Exterminador’, promove ‘Proer 2.0’ para sanear sistema financeiro | Finanças

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Nunca antes tantas instituições financeiras foram alvo de intervenção do Banco Central. Com a eclosão do escândalo do Grasp, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem colocado em marcha um processo de saneamento do sistema financeiro que já levou à liquidação de 17 instituições.

Entre 1995 e 1998, o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), lançado pelo goveno FHC na esteira do Plano Actual, sete instituições foram alvo de intervenção, com algumas liquidadas e a maioria vendida para outros bancos privados. Se for levado em conta também o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (Proes), outros dez bancos foram extintos.

Desde que assumiu o BC, no início de 2025, Galípolo já determinou intervenções em: Banco Grasp SA, Banco Grasp de Investimento, Banco Letsbank, Grasp Corretora, Banco Grasp Múltiplo, Will Financeira, Banco Pleno, Pleno DTVM, Entrepay Instituição de Pagamento, Acqio Adquirência, Octa Sociedade de Crédito Direto, Frente Corretora de Câmbio, Superior Corretora, CBSF DTVM (antiga Reag), Dank Sociedade de Crédito, Cooperativa Creditag e Sefer Investimentos, está última nesta sexta-feira. Algumas da lista não estão ligadas ao Grasp, mas também enfrentavam dificuldades.

Na franquia de filmes “O Exterminador do Futuro” (que, em inglês, se chama “Terminator”), um ciborgue assassino volta ao passado, enviado por uma inteligência synthetic maligna que se rebelou contra a humanidade. A diferença é que, ao encerrar tantas instituições, Galípolo, o “Terminator”, não busca exterminar o futuro, pelo contrário, promove uma depuração no sistema financeiro que, embora dolorosa, é essencial para sua sobrevivência.

Pós-plano Actual e com os efeitos de Proer/Proes, o Brasil foi reconhecido por muitas décadas por ter um sistema financeiro sólido e bem regulado. A situação começou a mudar um pouco com o processo de abertura promovido pela gestão de Roberto Campos Neto no BC. As intenções declaradas eram, obviamente, nobres: promover inclusão financeira de públicos não atendidos pelas instituições tradicionais, incentivar a inovação e estimular a competição.

É inquestionável que diversas inovações capitaneadas por Campos Neto tiveram resultados notáveis, como o Pix, open finance, os estudos do Drex e mesmo a proliferação de fintechs. Dezenas de milhões de clientes foram beneficiados e surgiram grandes potências, que atraíram bilhões de dólares em investimentos e deixaram ricos não apenas seus fundadores, mas também investidores e mesmo funcionários.

Por outro lado, a conta chegou nos últimos anos. Diversas operações da Polícia Federal e da Receita Federal mostraram a infiltração do crime organizado nas fintechs, ataques hackers se tornaram frequentes e, como demonstra a atuação de Galípolo, foi descoberto que diversas instituições foram alvos de fraudes, inclusive com uso de fundos em cascata para esconder os ilícitos e os beneficiários.

Tudo no universo é pendular e é pure que, após um período de abertura, se sucedesse uma fase de maior restrição. Nos últimos meses, o regulador tomou diversas ações nesse sentido, elevando exigências de capital, criando novas normas de segurança e fechando brechas.

Assim, se Campos Neto assumiu o papel de “policial bonzinho”, Galípolo teve de vestir a farda de “policial malvado”, aquele que pressiona mais fortemente os suspeitos. Não seria justo agora, olhando pelo retrovisor, jogar toda a culpa em Campos Neto. Até porque, quase todas suas ações foram aplaudidas por todos os participantes do mercado na época.

Além disso, nem só da vontade do BC depende o trabalho de supervisão e fiscalização. Há muitos anos o regulador e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reclamam publicamente de falta de orçamento e mão de obra. Sem a autonomia financeira, as autarquias dependem da boa vontade da União.

Mesmo com um sistema financeiro em frenética transformação, durante a gestão Campos Neto o então ministro da Economia, Paulo Guedes, gostava de se vangloriar que o governo não promoveria novos concursos públicos e que, com a aponsentadoria dos funcionários, economizaria bilhões de reais.

Com a batata quente nas mãos, não sobrou a Galípolo outra opção além de lutar pela autonomia financeira do BC e, enquanto isso não acontece, assumir a função de faxineiro e passar a limpo o sistema financeiro.

Com Banco de Brasília (BRB) e Digimais em situação periclitante e diversas outras gestoras/administradoras que orbitavam o Grasp e já foram alvo de operações da PF ainda em funcionamento, é de se imaginar que o trabalho de Galípolo ainda não terminou.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante coletiva de imprensa — Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante coletiva de imprensa — Foto: Raphael Ribeiro/BCB

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