Saturday, October 17, 2026
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Após prisão, futuro político de Canella ainda depende de decisão do TSE sobre candidatura | Eleições 2026

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Os rumos políticos do deputado estadual eleito Márcio Canella (União) ainda são incertos, após ele ser preso pela Polícia Federal (PF). A Justiça manteve nesta sexta-feira (16) a sua detenção preventiva, depois dele passar por audiência de custódia. Além disso, sua prisão pode influenciar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre um recurso que pede a invalidação de sua candidatura.

Canella já period alvo de uma ação no TSE por denúncias de suspeita de envolvimento com milícias antes de surgirem as novas provas reveladas pela Operação Unha e Carne que levaram à sua prisão. Segundo advogados eleitorais ouvidos pelo Valor, os ministros poderão levar em conta as novas provas apresentadas pela PF na análise do caso.

O ex-prefeito de Belford Roxo concorreu nestas eleições com a candidatura ameaçada. O Ministério Público Eleitoral chegou a defender que ele fosse barrado por suspeitas de ter sido beneficiado pela atuação de milícias com controle territorial na Baixada Fluminense. Porém, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) aprovou sua candidatura após concluir que ainda faltavam evidências sobre a prática dos supostos crimes.

Entre as suspeitas analisadas estavam a atuação de seus ex-secretários na prefeitura Belford Roxo Eduardo Araújo e Fabinho “Varandão”. Ambos foram condenados por integrarem milícias e barrados de disputar o pleito de 2024. Eles mantiveram forte atuação política na campanha de Canella.

A ação para tentar impedir Canella de participar da eleição partiu do então candidato a governador Anthony Garotinho (Repulicanos). Após a liberação da candidatura pelo TRE-RJ, o grupo recorreu ao TSE.

O relator do caso no TSE será o ministro Sebastião Reis Júnior. Para dar prosseguimento à análise, o ministro ainda aguarda um parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo as novas revelações da PF, o ex-prefeito seria o articulador político de uma organização criminosa armada, investigada por usar postos de combustíveis na região metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro.

O inquérito que embasou o pedido de prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, liga o político à atuação de milícias da região e cita um suposto acordo com o Comando Vermelho (CV). A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o professor de direito eleitoral da FGV/SP Fernando Neisser as novas provas apresentadas pela PF poderão ser levadas em conta, pois a Justiça Eleitoral tem uma liberdade mais ampla em casos que envolvem suspeita de elo com milícias e facções criminosas.

“Não há dúvida de que as novas revelações influenciam o julgamento que vai ser feito pelo Tribunal Superior Eleitoral até porque a proibição vinculada à questão do crime organizado para candidatura não é baseada na Lei da Ficha Limpa, que exige julgamento colegiado condenação por um Tribunal. Mas ela é baseada diretamente na Constituição Federal no artigo 17 parágrafo 4 que proíbe os partidos de terem atuação, vinculação, com grupos paramilitares”, aponta Neisser.

Caso o TSE não dê uma resposta ou o processo se arraste para depois da diplomação, marcada para 18 de dezembro, Canella poderá ser diplomado mesmo estando preso.

Segundo o advogado eleitoral Kaleo Guaraty, a suspensão da diplomação só ocorre com condenação prison transitada em julgado, e enquanto durarem seus efeitos.

Ele explica que a diplomação é o ato em que a Justiça Eleitoral reconhece o resultado e atesta quem foi eleito. Apenas um problema com o registro de candidatura (indeferimento, com anulação dos votos), e não o fato de ele estar preso, poderia ser um impeditivo.

“Preso provisório mantém seus direitos políticos, inclusive o de votar e de ser diplomado”, afirma Guaraty.

Canella já havia sido preso em julho por posse ilegal de arma, durante outra fase da operação da Unha e Carne. Ele foi solto dias depois por ausência provisória de indícios diretos sobre sua participação nos crimes.

Antes da primeira prisão, o ex-prefeito period o nome escolhido por Flávio Bolsonaro (PL) para ser candidato ao Senado na chapa do PL no Rio. Sua suplente seria a mãe do candidato à presidência, Rogéria Bolsonaro (PL).

Ao Valor, a defesa de Canella disse que ele “confia em Deus, na Justiça e que tem certeza que tudo será esclarecido”.

Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) — Foto: Jeovani Campos/PMBR
Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) — Foto: Jeovani Campos/PMBR

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