Monday, August 24, 2026
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‘Canalhas’ e ‘covardes’: ataques a Lula e Flávio marcam primeiro debate presidencial | Eleições 2026

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Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) participaram nesta noite (23) do debate da Band, o primeiro entre candidatos à Presidência da República desde o início da campanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiram não comparecer e viraram alvo dos participantes.

Primeiro sorteado a responder pergunta dos jornalistas, Renan Santos interagiu com os púlpitos de Lula e Flávio e chamou os adversários de “dois criminosos”. “Vivem brigando na web, botando seus cachorros para ficarem discutindo, mas eles próprios são covartes. Não estão vindo aqui porque não têm coragem de falar sobre os crimes que cometeram. Lula com Lulinha, com petrolão, com mensalão. Flávio Bolsonaro com seu envolvimento com Daniel Vorcaro, com seu escândalo de rachadinhas. Covardes e canalhas”, disse.

Após a fala, o candidato do Missão acabou ouvindo Augusto Cury dizer que fica “assombrado” com seu “nível de agressividade”. “Você tem boas ideias, mas um perfil muito agressivo, Renan”, disse o escritor. “Estamos numa democracia e a beleza dela está na divergência. Você pode criticar as ideias, mas não a pessoa.”

Ainda assim, Renan Santos não se intimidou. Em outra parte do debate, disse que Lula e Flávio “fugiram como cadelas”. E continuou: “Flávio ontem [sábado] foi pra Barretos dançar. Estava dançando, igual a um imbecil lá em Barretos. O Lula, coitado, tem que ficar lá com aquela Janja. Period mais fácil ter vindo ao debate que iria ter companhias melhores”, declarou.

Renan ainda disse que “Lula quer que Flávio Bolsonaro seja candidato, porque o único candidato que Lula é capaz de vencer é o Flávio”. “O Flávio é fraco, o Flávio não é inteligente, o Flávio tem gravíssimos déficits cognitivos e a última vez que o Flávio ficou no debate teve problemas gástricos”, disse. O candidato do Missão também afirmou que tudo que Flávio quer é perder para Lula e “continuar mandando na direita”. 

Em outro momento, Renan abriu uma folha de papel com a palavra “ladrão” e colocou em frente ao púlpito de Lula. Ele foi repreendido pela equipe da Band e retirou o cartaz. Veja no vídeo abaixo:

Renan Santos abriu folha com 'ladrão' escrito no púlpito de Lula

Renan Santos abriu folha com ‘ladrão’ escrito no púlpito de Lula

Caiado cobrou de Flávio explicações sobre o financiamento do filme Darkish Horse, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “No primeiro momento, eu disse, olha, Flávio, explique o que estão denunciando e falando a seu respeito. Ele realmente não deu satisfação, não explicou o Darkish Horse, ou seja, ele exatamente fugiu da explicação à sociedade. Como é que um candidato à Presidência da República, pode querer ter a presunção da inocência se não que ele não explicou aonde foi parar esses milhões e milhões de reais?”, questionou.  

Caiado também propôs que um projeto de lei fosse enviado ao Congresso Nacional tornar obrigatória a participação dos candidatos nos debates. Na visão do ex-governador de Goiás, Lula e Flávio “não respeitam opinião pública” e “viram as costas pra população achando que já estão eleitos”.  

Cury causou tumulto minutos antes do início do debate. Na portaria da emissora, ele fez um pronunciamento aos jornalistas dizendo que não participaria em protesto pela ausência de Flávio e Lula. Chegou a entrar no carro para deixar o native, mas voltou atrás e se dirigiu ao estúdio. Um dos principais motivos da mágoa foi Lula ter divulgado que estaria em entrevista às 20h30, mesmo horário do debate, na TV File. “Isso é um teatro, não é democracia”, disse.

Na chegada, Caiado disse que Lula e Flávio “querem manter a eleição naquela polarização burra” porque se beneficiam dela. Renan Santos ironizou a ausência dos dois, exibindo aos jornalistas duas fraldas geriátricas, com o nome de um e de outro, e disse que nem se lembrava que Zema iria ao debate. O candidato do Novo foi convidado pela emissora, mas comunicou nesta manhã que não compareceria. Alegou que an information tinha sido adiada em uma semana a pretexto de facilitar a participação de Lula, mas, com a ausência dele e de outros concorrentes, “a alteração de knowledge perdeu o seu propósito inicial”.

No primeiro bloco, os três candidatos discutiram temas como educação, segurança pública e desigualdade. “Lula da Silva, você tinha que estar aqui para responder sobre o caos que está a educação”, disse Cury, que também acusou o governo atual de ser “extremamente assistencialista” e declarou que o programa Bolsa Família é importante, mas precisa de ajustes.

Caiado ‘xerife’ e as propostas para segurança pública

Caiado foi perguntado sobre as propostas para diminuir a atual taxa de juros no país e atrelou à redução a um governo “com autoridade”, dizendo que, se eleito, irá buscar “uma inflação em torno de 3% ou 4%”. O ex-governador de Goiás também ouviu de Agusto Cury que seria convidado para ser o “xerife do governo“, assumindo o futuro Ministério da Segurança Pública. Respondeu que recusaria porque estará no cargo de presidente. Ambos convergiram em temas como o combate à violência contra a mulher.

Questionado sobre o motivo de não ter apoiado a PEC da Segurança Pública, Caiado não respondeu diretamente à pergunta e usou seu tempo para criticar a gestão federal no combate ao crime organizado. Segundo o candidato, o governo seria “conivente” com facções criminosas. Ele prometeu “confiscar os bens de faccionados”.

Renan Santos afirmou que pretende “iniciar um banho de sangue contra os membros das facções” já no primeiro dia de eventual governo. Ele prometeu tropas policiais subindo as favelas. “Se quiserem lutar, vão encontrar algo que eles nunca viram na vida. Forças federais, guardas municipais e as polícias estaduais atirando vagabundo como se não houvesse amanhã”, afirmou.  

Em outro momento do debate, o candidato do Missão disse que pretende declarar Estado de Defesa e Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em alguns Estados que diz estarem comandados pelo crime organizado. Além disso, declarou que irá adotar também intervenção federal no Ceará e em outros Estados do Nordeste em que há “governos desse cara aqui [apontando para o púlpito do Lula]”, e voltou a falar na construção de “superpresídios”.

Renan Santos também centrou suas críticas ao PT e ao governo Lula. “O governo Lula quer legislar sobre segurança concentrando poder. O PT tem volúpia por poder. O PT quer segurar a polícia, é inimigo da polícia nos Estados”, disse, defendendo em seguida a intervenção federal em Estados com problemas no enfrentamento ao crime organizado.

Questionado sobre o que pretende fazer para superar a crise diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos, Augusto Cury foi vago e não apresentou propostas concretas. “Vamos pacificar sem dúvida nenhuma a relação entre Brasil e Estados Unidos. Sempre fui o homem da pacificação. Sei como pacificar, conversar de igual para igual”, disse, sem detalhar. “As relações serão ótimas com Estados Unidos, ótimas com a China. Pacificação em primeiro lugar.”

Ao falar sobre o tema, Caiado voltou a atacar o governo Lula e disse que o presidente seria o “culpado” pela crise com os Estados Unidos. “Em primeiro lugar, o Lula está doido para criar esse deadlock. Ele está provocando [Donald] Trump toda hora”, disse. “Lula passou a ser simplesmente porta-voz do PT. Vou fazer a chancelaria debater em grande nível. Ninguém quer brigar com o Brasil.”

Questionado sobre o fim da escala de trabalho 6×1, Renan Santos usou suas respostas para criticar, mais uma vez, o presidente e disse que Lula não cumpre suas promessas. Como exemplo, citou a promessa de que o brasileiro iria voltar a comer picanha, feita por Lula na campanha de 2022. “Esse cara [Lula] é inimigo do trabalho”, afirmou Renan Santos. “Não acredite nisso que você vai trabalhar menos e ganhar mais num país até onde as Casas Bahia estão quebrando”, disse o candidato, citando a crise enfrentada pela empresa.

Renan Santos citou ainda o escândalo da rachadinha envolvendo Flávio Bolsonaro, mas centrou seus ataques ao presidente Lula, mostrando discordância com a proposta do fim da jornada de trabalho 6×1. “Hoje o que esses caras querem é que você não tenha trabalho, para você ir para o Bolsa Família e você votar nele. [Lula] trata como escravo”, disse o postulante do Missão.

Cury defendeu o fim da escala 6×1 e a adoção da escala 5×2 para dar mais qualidade de vida aos trabalhadores. Em seguida, mudou de assunto para criticar Lula e afirmou que no mesmo horário do debate, a TV File exibiu uma entrevista com o presidente. “Isso é um desrespeito à democracia.”

Renan voltou a falar do pedido de recuperação judicial das Casas Bahia e tentou vincular o problema a Lula, apesar de não estar relacionado diretamente com o governo federal. Segundo o candidato do Missão, se o fim da jornada 6×1 for aprovada, “muitas empresas vão fechar”. “Até as Casas Bahia estão fechando”, disse. “Não vai funcionar isso que o governo está falando. Quero que vocês tenham trabalho, não quero que vocês caiam no Bolsa Família para o Lula não te tratar como escravo”, disse. O postulante criticou também a entrevista concedida por Lula, que foi exibida no mesmo horário do debate, e associou ainda o petista ao escândalo do Banco Grasp.

Marçal impedido pelo TSE

O influenciador Pablo Marçal (PRTB), que foi inscrito de última hora como candidato, embora esteja inelegível, chegou a tentar viabilizar sua participação no debate deste domingo. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, na quinta-feira (20), que ele fique impedido de ter acesso aos fundos eleitoral e partidário e de participar de debates e do programa eleitoral no rádio e na TV. O registro da candidatura ainda será julgado, mas a tendência é que seja negado, em razão de não preencher os requisitos.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (21), Lula e Flávio permanecem na liderança da corrida ao Palácio do Planalto. O candidato do PT tem 39% no primeiro turno, enquanto o do PL marca 33%. Em eventual segundo turno entre eles, Lula registra 47%, ante 43% do adversário. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos.

Completam o cenário de primeiro turno: Caiado, com 5%, Renan, com 4%, Zema, com 3%, e Cury, com 2%. Outros postulantes marcaram 1% ou não pontuaram. Votos em branco e nulos totalizam 6%, e indecisos são 4%. Marçal, que está inelegível, mas teve o nome testado em outro cenário, atingiu 2%.

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