O argumento period simples: o candidato republicano ao Senado dos Estados Unidos Mike Rogers é um conservador de bom senso, enquanto seu adversário democrata, Abdul El-Sayed, é um socialista favorável a um Estado grande e alinhado à ala esquerda do partido.
Mas, quando um cabo eleitoral que apoiava Rogers apresentou essa mensagem a Nick Delise, eleitor de Donald Trump nas últimas três eleições presidenciais e morador dos subúrbios de Detroit, encontrou certo ceticismo. Embora Delise tenha dito que provavelmente votaria em Rogers, rejeitou a ideia de que os democratas fossem controlados pela extrema esquerda e afirmou que o partido estava concentrado em soluções práticas para os problemas dos eleitores.
A conversa ofereceu uma visão em primeira mão de uma estratégia que os republicanos estão adotando em Michigan e em outros Estados decisivos: retratar os democratas como extremistas ideológicos que se deslocaram excessivamente para a esquerda, ao mesmo tempo em que buscam levar às urnas apoiadores menos engajados, necessários para manter suas maiorias no Congresso em novembro.
Na semana passada, a Reuters acompanhou em Livonia integrantes do Individuals for Prosperity Motion (AFP Motion), grupo de ação política ligado à rede conservadora apoiada pelo bilionário Charles Koch, enquanto eles percorriam a cidade de porta em porta para mobilizar eleitores em favor de Rogers.
As conversas evidenciaram tanto o apelo quanto os limites da mensagem republicana. Com muitos americanos insatisfeitos com a condução da economia e da guerra no Irã pelo presidente Donald Trump, os republicanos têm enfrentado dificuldades para encontrar mensagens capazes de levar às urnas eleitores que lidam com o alto custo de vida.
Delise, de 32 anos, parecia ser o público superb para esse discurso. Uma bandeira americana estava pendurada na varanda de sua modesta casa térrea, duas picapes estavam estacionadas na entrada e uma bandeira “Skinny Blue Line”, de apoio à polícia, estava exposta na garagem.
Ele reconheceu saber pouco sobre os candidatos e disse que normalmente não vota nas eleições de meio de mandato, atribuindo sua inclinação conservadora à influência de parentes que trabalham nas forças de segurança. Também reclamou do custo para abastecer suas picapes.
“Não sou radical a ponto de ter que votar nos republicanos”, disse Delise à Reuters em uma entrevista posterior, acrescentando que não descartava apoiar um democrata caso decidisse votar. “Estou aberto. Não estou dizendo que não exista essa possibilidade.”
É verdade que muitas das pessoas abordadas pelos ativistas já apoiavam Rogers, fazendo com que as conversas fossem menos sobre convencimento e mais sobre mobilização eleitoral. Uma apoiadora de Trump na faixa dos 50 anos disse que ela e dois parentes já haviam decidido votar em Rogers, enquanto um homem de meia-idade que conversava no quintal de um vizinho afirmou que apoiaria Rogers para impedir o que descreveu como uma guinada socialista dos democratas.
Trump e seus aliados têm procurado aproveitar as recentes vitórias nas primárias de alguns democratas de esquerda, como El-Sayed, para argumentar que o partido está se inclinando para o socialismo e representa uma ameaça ao país — afirmação que dirigentes democratas rejeitam como falsa e alarmista. Ao mesmo tempo, Trump pediu ao partido que o coloque no centro de seus esforços eleitorais para entusiasmar sua base, apesar de sua crescente impopularidade.
Um casal republicano na faixa dos 80 anos ilustrou uma possível fragilidade dessa estratégia de mobilização centrada em Trump. Enquanto a mulher disse que votaria em Rogers, o marido afirmou que sua insatisfação com o presidente o deixava em dúvida sobre apoiar o candidato republicano ao Senado. Um dos ativistas tentou redirecionar a conversa para as diferenças entre as propostas políticas e afastá-la de Trump.
“As pessoas não estão muito satisfeitas com a situação do mundo neste momento”, disse em entrevista Tim Golding, assessor sênior da AFP Motion em Michigan. “Mas tentamos mudar o rumo dessa conversa e voltar às políticas e à agenda que nossos candidatos têm, evitando, tanto quanto possível, uma conversa sobre Trump.”
El-Sayed rejeitou a caracterização de que seria um socialista radical e se definiu como capitalista. O porta-voz de sua campanha, Cole Wozniak, disse que a candidatura construiu uma base well-liked mobilizada com mais de 21 mil voluntários.
A campanha de Rogers não respondeu a um pedido de comentário.
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Desvantagem no entusiasmo
Com Trump registrando baixos índices de aprovação e fora das cédulas eleitorais, os republicanos precisam mobilizar apoiadores que, de outra forma, poderiam não comparecer às eleições de meio de mandato, nas quais a participação costuma cair mais de 10 pontos percentuais em relação às eleições presidenciais. Essa tendência histórica aumenta a importância da campanha nacional republicana de porta em porta e de outras iniciativas para levar eleitores às urnas neste ano.
Os democratas parecem mais mobilizados: 42% dos que se identificam como democratas dizem estar “muito entusiasmados” para votar, ante 28% dos eleitores republicanos, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos mais recente.
Em Michigan, as preocupações com essa diferença de entusiasmo vieram recentemente a público quando um republicano que trabalhava com a campanha de Rogers reclamou da falta de disposição dos voluntários para bater de porta em porta e realizar outras atividades.
“O clima nas ruas é o pior que já vi na vida”, escreveu no X na semana passada Jackson Karki, estudante universitário que vinha ajudando a campanha a se organizar em vários condados do norte do Estado. “Ninguém quer promover candidatos, ninguém quer bater de porta em porta, ninguém quer fazer porcaria nenhuma.”
Outros republicanos contestam essa avaliação. No condado de Oakland, uma das regiões eleitorais mais importantes de Michigan e que reúne mais de 1 milhão de eleitores registrados, o presidente native do Partido Republicano, Vance Patrick, afirmou que o entusiasmo dos voluntários continua forte.
Em entrevista, ele disse que Trump deverá visitar o Estado duas vezes antes das eleições de 3 de novembro, o que, segundo sua previsão, estimulará ainda mais os voluntários e aumentará a participação. Organizações partidárias locais como a de Patrick ganharam importância em Michigan à medida que a estrutura estadual do Partido Republicano se enfraqueceu nos últimos anos.
Patrick disse que entre os principais alvos da campanha no condado estão cerca de 20 mil eleitores judeus, um grupo importante para Rogers diante da oposição de El-Sayed à ajuda militar a Israel e de sua caracterização das ações israelenses em Gaza como genocídio. A campanha também busca alcançar 38 mil dos chamados “gigantes adormecidos” — eleitores que raramente votam, mas que os republicanos acreditam que apoiariam Rogers se fossem convencidos a comparecer às urnas.
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Michigan serve de teste para estratégia nacional
Incluindo a AFP e outros grupos externos, a campanha de Rogers planeja bater em 6 milhões a 8 milhões de portas até o dia da eleição, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto — aproximadamente o dobro do complete de 2024, quando ele perdeu a disputa pelo Senado por 19 mil votos.
O esforço reflete a dimensão da estratégia republicana de mobilização em nível nacional, na qual campanhas e grupos aliados investem pesadamente em ações de porta em porta e outras operações direcionadas a eleitores, em meio às preocupações com o entusiasmo da base.
Em todo o país, os republicanos têm uma vantagem de US$ 637 milhões em recursos disponíveis sobre os democratas, considerando tremendous PACs e comitês partidários. A diferença supera amplamente a vantagem democrata na arrecadação dos próprios candidatos e pode ajudar a financiar uma operação de mobilização mais ampla, disse Brendan Glavin, diretor de análises da OpenSecrets.
Os democratas, porém, afirmam que dinheiro por si só não decidirá a disputa. O Partido Democrata de Michigan diz que o número de voluntários ativos aumentou 267% desde as primárias, à medida que a legenda se uniu em torno de El-Sayed.
Curtis Hertel, presidente do Partido Democrata de Michigan, afirmou que os democratas baterão em 1,4 milhão de portas nas quatro semanas finais da campanha e argumentou que o esforço reduzirá o impacto das tentativas republicanas de desviar o foco das questões que afetam diretamente o cotidiano e o bolso dos eleitores.
Eles contam com eleitores como um morador na faixa dos 20 anos que atendeu à porta em Livonia e, ao ser questionado sobre em quem pretendia votar, respondeu simplesmente: “Não em Mike Rogers”, antes de fechar a porta.
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