Monday, May 4, 2026
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‘Lofts’ voltam à cena no alto padrão paulistano | Imóveis de Valor

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Eles ganharam popularidade na década de 1960, em Nova York, quando artistas da época passaram a usar os edifícios “forged iron” do Soho, com suas escadas do lado de fora da fachada, e antigos galpões vazios como moradias. Os “lofts” do bairro agradavam por ter amplos vãos livres, pé-direito duplo e valor de aluguel acessível, o que fez muita gente, como o astro da “pop artwork”, Andy Warhol, viver ali.

O fenômeno transformou o Soho em endereço descolado, atraindo lojas de luxo e restaurantes badalados. A partir de2010, foi a vez de o mercado imobiliário investir no bairro, transformando os “lofts” em produtos desejados e valiosos.

Em São Paulo, após uma primeira safra de produtos em meados da década de 2000, o modelo perdeu apelo comercial e ficou um bom tempo esquecido pelas incorporadoras. Nos últimos cinco anos, contudo, o formato parece ter voltado a capturar a atenção das empresas e dos consumidores, com novos produtos chegando às prateleiras do mercado.

No Hive Ibirapuera, com pilares de sustentação na fachada e não no interior dos andares, os ambientes podem ser totalmente integrados — Foto: MINT / DIVULGAÇÃO
No Hive Ibirapuera, com pilares de sustentação na fachada e não no inside dos andares, os ambientes podem ser totalmente integrados — Foto: MINT / DIVULGAÇÃO

Na Zona Sul, a Constrac foi uma das primeiras a relançar o formato, em 2023. O empreendimento Hive Ibirapuera tem torre única com 19 pavimentos e 42 apartamentos.

No whole, são 11 tipologias diferentes de 35 a forty five metros quadrados, além de seis “penthouses” de até 192 metros quadrados. Todas as unidades têm pé-direito piso a piso de 3,9 metros.

“A planta é livre e flexível. As unidades não têm pilares internos, e as paredes dos quartos podem ser removidas, integrando todos os ambientes”, explica Fernando Forte, sócio do escritório FGMF, que assina a arquitetura do Hive.

No Hive Ibirapuera, com pilares de sustentação na fachada e não no interior dos andares, os ambientes podem ser totalmente integrados — Foto: MINT / DIVULGAÇÃO
No Hive Ibirapuera, com pilares de sustentação na fachada e não no inside dos andares, os ambientes podem ser totalmente integrados — Foto: MINT / DIVULGAÇÃO

Segundo o arquiteto, a ideia foi criar um apartamento de alto padrão mais racional no uso do espaço e com grandes janelas, para aproveitar a vista de 180 graus do Parque Ibirapuera.

“É supreme para casais jovens, executivos em viagens ou pessoas que prefiram um lugar menor para morar, mas com estilo de sobra e conforto suficiente para receber os amigos em casa”, conceitua Forte.

O Hive Ibirapuera deve ser entregue no segundo semestre deste ano e já está com mais de 80% das unidades vendidas. O VGV é de R$ 2oo milhões. Atenta a esse “revival”, a incorporadora RFM levou a inspiração para o Itaim, onde lançou o Janô, em março.

“O Itaim é um bairro jovem, com moradores que trabalham em empresas da região da Faria Lima. É um público que gosta de um estilo mais moderno de morar e tem demonstrado grande interesse na compra dos ‘lofts’”, afirma Marcelo Moraes, CEO da incorporadora RFM.

Para o executivo, existe demanda na cidade para mais produtos do gênero. “O formato tem o apelo do uso flexível da planta. Estamos acrescentando sofisticação a isso, com uma abordagem menos industrial do que a tradicionalmente usada entre os ‘lofts’”, explica Moraes.

O Janô tem assinatura da Zien Arquitetura, com interiores de Dado Castello Branco e paisagismo de Roberto Riscala. Serão 62 apartamentos no whole, incluindo unidades-tipo de 150 metros quadrados, coberturas com até 246, e unidades duplex com pé-direito duplo. O VGV é de R$ 360 milhões.

No Cardoso 432, opção de mezanino e pé-direito com mais de 4,3 metros de altura — Foto: GLOBAL REALTY BRASIL/DIVULGAÇÃO
No Cardoso 432, opção de mezanino e pé-direito com mais de 4,3 metros de altura — Foto: GLOBAL REALTY BRASIL/DIVULGAÇÃO

O segmento de compactos de luxo também vem aderindo aos “lofts”. A World Realty Brasil acaba de entregar o empreendimento Cardoso 432, em Perdizes, com 120 apartamentos de 29 metros quadrados com essa abordagem, além de pé-direito com 4,32 metros de altura.

“O comprador pode optar em deixar a planta totalmente livre ou solicitar a construção de um mezanino, que pode servir como dormitório ou ‘dwelling workplace’, conforme sua escolha”, explica Guilherme Estefam, sócio da GBR.

Segundo ele, a opção pelo “loft” foi uma estratégia de diferenciação. “Entendemos que o segmento está saturado de estúdios comuns e decidimos por este modelo. Deu certo: todos foram vendidos, e com valor de metro quadrado quase 50% maior do que o praticado no bairro”, afirma.

A incorporadora também investiu em “lofts” no empreendimento Orla Paulistana, com projeto da aflalo/gasperini arquitetos, decoração de Carlos Rossi e paisagismo de Rodrigo Oliveira, entre o Jardim Europa e o Itaim. As unidades de 25 a 35 metros quadrados sequer foram levadas ao mercado: todas acabaram absorvidas pela carteira de clientes da empresa.

Unidade 'loft' no edifício de alto padrão Orla Paulistana: tudo vendido antes mesmo de ir ao mercado — Foto: GLOBAL REALTY BRASIL/DIVULGAÇÃO
Unidade ‘loft’ no edifício de alto padrão Orla Paulistana: tudo vendido antes mesmo de ir ao mercado — Foto: GLOBAL REALTY BRASIL/DIVULGAÇÃO

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