/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/c/l/icdarVScyUtyYtxdWORQ/foto10pol-201-lula-a14.jpg)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a atuação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para tentar contornar a crise na Corte e disse que espera que ele “faça mais”. Em entrevista nesta quinta-feira (10), ele voltou a afirmar que os vazamentos são “seletivos” e têm “viés político” e lamentou que as investigações “não deveriam impactar no processo eleitoral”.
“Fachin tomou atitude correta, não terminou de tomar as atitudes, espero que faça mais coisa para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte”, afirmou o presidente ao SBT Brasil. Segundo ele, “falta apurar quem é culpado de verdade”. “Apurem tudo, divulguem tudo, doa a quem doer”, completou.
Questionado se seria a favor da investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, disse que “todo mundo tem que ser investigado”. “Todos que tiverem suspeitas de terem cometido qualquer equívoco tem que ser investigado”, disse. “Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o André Mendonça é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da nossa Constituição. Todos têm que pagar.”
Para o presidente, a crise deflagrada entre os ministros é prejudicial à Corte e à sociedade brasileira. “Se a Suprema Corte vira uma balbúrdia, ninguém conversa com ninguém, ninguém confia em ninguém, todo mundo acusa todo mundo, o presidente tem que assumir e colocar ordem na casa”, afirmou o presidente.
Sem citar nomes, ele voltou a criticar, no entanto, o que a campanha petista tem chamado de “vazamentos seletivos”. Lula já vem cobrando a divulgação “completa” dos sigilos do Caso Grasp e explicações por parte do STF em meio à crise na Corte. “O que não pode é um juiz ficar sentado em cima do processo e ficar vazando”, reclamou o presidente.
Como o Valor mostrou, os aliados do chefe do Executivo veem motivação eleitoral na determinação de Mendonça para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje principal adversário do petista na disputa ao Palácio do Planalto. Para eles, haveria uma seletividade do ministro ao liberar o sigilo de alguns casos, como as mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Grasp, a um celular atribuído a Moraes e não do caso do filme “Darkish Horse“, ligado diretamente à candidatura bolsonarista.
Lula defendeu o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e refutou hipótese de que a atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias, teria atrapalhado a reintegração do delegado ao cargo máximo da PF após afastamento determinado pelo ministro André Mendonça. “Messias agiu de maneira correta, sob minha orientação, defendendo o Andrei”, afirmou.
O Valor revelou na quarta-feira (9) que o pedido de reintegração à direção-geral da PF não tinha conhecimento do AGU e foi tratada como “pessoal” dentro do órgão. O episódio do afastamento ajudou a escancarar uma rusga já deflagrada entre Rodrigues e Messias. Pessoas próximas dizem que o dirigente da PF tem se mostrado insatisfeito com a atuação do AGU em meio à crise do STF – em especial quanto às decisões do ministro André Mendonça, de quem Messias é próximo – e que esperava posicionamentos mais enérgicos.
“A relação de Messias com Mendonça é institucional”, defendeu o presidente, negando que houvesse qualquer prejuízo para o diretor da PF. Messias chegou a se reunir com Mendonça e com o ministro da Justiça no STF para tratar do tema, mas não tomou nenhuma medida jurídica para questionar determinações do ministro do Supremo, antes de elas serem suspensas por Fachin.
No âmbito político, o presidente Lula tem tentado se equilibrar entre passar uma mensagem que cobre resolução dos casos por parte do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), ao mesmo tempo que busca não entrar em conflito direto com os magistrados. O governo teme que, se o petista tomar uma atitude mais drástica, pode trazer impactos à sua campanha à reeleição.
Lula reforçou sua confiança no diretor-geral da PF, chamando-o de “policial federal muito competente”. “Ele fez um trabalho extraordinário. Aliás, acho que ele incomoda muita gente porque a Polícia Federal nunca trabalhou tanto, nunca prendeu tanto, nunca resgatou tanto dinheiro e tanta droga nesse mandato do Andrei”, afirmou o presidente em entrevista ao SBT Brasil.
Sobre questionamentos contra o diretor, o presidente afirmou que a PF “tem que esclarecer fatos e precisa ter liberdade de investigar”. “O Andrei é da minha complete confiança, é um companheiro, perito, como poucos delegados na história desse país”, reforçou. O presidente pontuou, no entendo que, “se ele cometeu um erro, que seja julgado”.
Durante entrevista, Lula voltou a defender a atuação de seu governo no caso do Banco Grasp e a ligar as investigações à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista afirmou que o Grasp foi aberto durante gestão de Bolsonaro e Vorcaro preso no seu governo.
Vorcaro se tornou um dos sócios majoritários do Grasp em 2018, ao last de gestão de Michel Temer (MDB), mas a instituição voltou a crescer exponencialmente a partir de 2019, já primeiro ano de Bolsonaro, segundo as investigações da Polícia Federal (PF). Ligar o escândalo ao nome da família Bolsonaro, incluindo a conexão direta com senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem sido uma das principais estratégias da campanha petista.
Lula voltou a negar qualquer relação com o ex-banqueiro e disse que seu governo “não tem nada a ver com a crise institucional”. “Vorcaro veio falar comigo dizendo que estavam perseguindo o banco dele. Ninguém tem interesse de fechar banco, mas se não estiver correto, fechamos”, afirmou Lula, ao SBT Brasil.
A liquidação do Grasp foi decretada em 2025 pelo Banco Central sob o comando de Gabriel Galípolo, indicado pelo petista.
O presidente defendeu também a reforma no Judiciário, uma pauta antiga do PT, que foi debatida hoje em reunião da executiva nacional. Lula disse que não pode falar como presidente, mas que defende mandatos para magistrados em supremas cortes.
“Eu acho que a gente precisa discutir o mandato para a Suprema Corte, ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo”, ponderou o presidente. “Ninguém pode ter escritório trabalhando na Suprema Corte. Outro dia, eu disse, brincando: quem quiser ser da Suprema Corte não pode querer ser rico. Se quiser ser rico, vai trabalhar no seu escritório. Se quiser ser juiz, com método e respeito, vai para a Suprema Corte.”
O presidente defendeu a política fiscal de sua gestão. O petista rechaçou a avaliação de que a alta do salário mínimo pode pressionar a inflação e disse que o aumento do benefício amplia o poder de compra da população.
“No meu governo, não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal. Ajuste fiscal eu faço na prática. Foram oito anos [à frente da Presidência da República], mais quatro anos, então são 12 anos de responsabilidade fiscal”, afirmou.
O chefe do Executivo negou qualquer impacto do reajuste do salário mínimo nas contas do país. Segundo ele, durante suas gestões à frente do Palácio do Planalto, “provei que aumentar o salário mínimo não causa inflação neste país, causa poder de compra e melhoria da vida do povo trabalhador”.
De olho na reeleição, ele disse que, enquanto for presidente, as pessoas continuarão recebendo reajuste no salário mínimo. Atualmente, o reajuste segue a fórmula estabelecida pela Lei nº 14.663/2023. Pela regra, o governo considera, em primeiro lugar, a inflação acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
“Não tem político nem banqueiro que tem coragem nem autoridade de discutir responsabilidade fiscal comigo”, reforçou o presidente. “A gente só gasta o que a gente tem, e se for para a gente fazer uma dívida, tem que ser para aumentar o patrimônio.”
Na entrevista, Lula também voltou a falar que recursos voltados à educação não são gastos, mas sim, investimento. Ele, então, disse que “cabe no orçamento” aumentar dinheiro em educação e segurança.