Negociadores iranianos realizaram conversas em Doha com mediadores do Catar neste sábado (31) para discutir caminhos para sair da guerra no Golfo, disse à Reuters uma fonte a par das negociações, enquanto diplomatas tentam evitar novos confrontos após as eleições de meio de mandato nos EUA nesta semana.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse hoje que o presidente americano, Donald Trump, ainda não decidiu se lançará novos ataques contra o Irã, mas prefere resolver o conflito diplomaticamente.
Trump tem adiado ataques ao Irã nas últimas semanas, em antecipação às eleições de meio de mandato, que determinarão se seu Partido Republicano manterá a pequena maioria em ambas as casas do Congresso dos EUA.
As conversas deste sábado na capital do Catar ocorreram após mais de 12 horas de discussões na sexta-feira (30) entre enviados iranianos e catarianos em Teerã, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato. A fonte afirmou que as conversas estavam sendo coordenadas em contatos regulares com Washington.
Os países da região têm previsto que Trump poderá retomar os ataques assim que a votação terminar. O Irã afirmou repetidamente que responderá a quaisquer novos ataques atingindo alvos americanos e israelenses em países vizinhos.
O Líder Supremo do Irã, Aiatolá Mojtaba Khamenei, emitiu uma declaração neste sábado ordenando que as forças armadas se preparassem para responder a quaisquer ataques. Posteriormente, os militares iranianos anunciaram que estavam tomando medidas para melhorar seu nível de prontidão.
“Qualquer nível ou tipo de ameaça deve ser enfrentado com uma resposta imediata, impactante e sem restrições geográficas”, disse Khamenei neste sábado, em um comunicado publicado em sua conta oficial no Telegram. Ele não aparece em público desde que substituiu seu pai, que foi assassinado no início da guerra.
Khamenei afirmou que altos comandantes relataram alto nível de prontidão ao longo da costa do Golfo, dentro e ao redor do Estreito de Ormuz e do Golfo de Omã, bem como nas fronteiras noroeste e sudeste do Irã.
O influente chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que Teerã estava debatendo se deveria suspender sua proibição de longa information de armas nucleares caso as hostilidades fossem retomadas, embora tenha dito que nenhuma decisão nesse sentido havia sido tomada. Ele acrescentou que não poderia haver negociações sobre o programa nuclear iraniano a menos que Washington aceitasse as exigências do Irã.
Rubio, que recebia os ministros das Relações Exteriores das principais economias do G20 em Atlanta, recusou-se a estabelecer um cronograma para as negociações no Catar, mas afirmou que contatos diretos e indiretos com o Irã estavam em andamento.
“Há várias negociações em andamento. Na verdade, as negociações nunca pararam”, disse ele.
Trump “preferiria resolver isso diplomaticamente. Mas acho que o que o presidente expressa para vocês é uma confiança incrível de que, se precisássemos fazer algo militarmente, teríamos a capacidade de fazê-lo”, disse Rubio.
A diplomacia continua apesar das lacunas.
Trump, que iniciou a guerra ao lado de Israel em fevereiro, insinuou repetidamente planos para retomar os ataques contra o Irã. Na semana passada, ele pediu aos israelenses, às vésperas de suas próprias eleições, que mantivessem seu aliado de guerra, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no poder para que os dois líderes pudessem “terminar o trabalho”.
Mas Washington também tomou medidas recentemente para indicar que está aberto à diplomacia. No início desta semana, o vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação dos EUA em rodadas anteriores de negociações com o Irã, escreveu uma carta ao chefe de segurança Rezaei, que o New York Occasions e o Wall Road Journal descreveram como uma iniciativa para verificar a possibilidade de retomar as negociações.
Trump minimizou a importância da carta, dizendo que a aprovou apenas para discutir a possibilidade de permitir a entrada de mais suprimentos médicos no Irã: “Eu disse que se vocês quisessem fazer isso, tudo bem. Basicamente, trata-se de enviar suprimentos para ajudar as pessoas que não estão bem.”
Nas últimas discussões mediadas pelo Catar, os catarianos apresentaram a Teerã, há uma semana, uma proposta para um plano de sete dias, segundo a qual os EUA e o Irã tomariam medidas diárias para construir confiança antes de negociações de paz mais amplas, disse a fonte a par das negociações. Um alto funcionário iraniano disse à Reuters na sexta-feira que essa proposta não foi considerada satisfatória por Teerã.
Desde setembro, o Irã vem propondo seu próprio plano de sete dias, até agora rejeitado por Trump. O plano exige que Washington suspenda o bloqueio aos portos iranianos, descongele ativos e aprove uma rota apoiada pelo Irã através do Estreito de Ormuz, após o que o estreito disputado seria reaberto.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou em declarações divulgadas pela Al Jazeera neste sábado que o Irã estava analisando a carta de Vance. Ele disse que o plano iraniano period a única proposta em discussão para reabrir o estreito.
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