Monday, September 14, 2026
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Novos ataques podem reduzir em mais 4% oferta international de petróleo | Mundo

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Mideast Wars — Foto: (Satellite image ©2026 Vantor via AP)
Mideast Wars — Foto: (Satellite tv for pc picture ©2026 Vantor through AP)

Novos ataques contra a Arábia Saudita e contra navios no Golfo Pérsico intensificaram ainda mais a tensão no Oriente Médio neste domingo, depois que um ataque a um oleoduto saudita e um avanço dos houthis, do Iêmen, ameaçam agravar as interrupções no abastecimento energético international causadas pelo conflito.

Os últimos acontecimentos do fim de semana que colocam em risco o abastecimento da Arábia Saudita — cujas exportações caíram no mês passado para 3,2 milhões de barris por dia, o nível mais baixo em 13 anos, segundo dados da Kpler, uma empresa de informações marítimas, citada pelo The New York Occasions. Antes de os EUA lançarem a guerra contra o Irã, os sauditas exportavam perto de 7 milhões de b/d.

A Arábia Saudita ficará sem estoques de petróleo para exportação se não reiniciar seu principal oleoduto para o Mar Vermelho nos próximos dias, o que levaria a uma perda de até 4% do abastecimento international, segundo compradores e corretores de petróleo saudita. Esse cenário deverá levar a novas altas dos preços da commodity na reabertura dos mercados nesta segunda-feira (14).

A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou neste domingo que uma embarcação havia sido atingida por um projétil enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, causando um incêndio e forçando a retirada da tripulação. O Irã, por sua vez, informou que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos a bordo de uma embarcação comercial iraniana atingida na costa do país.

Na Arábia Saudita, a mídia estatal divulgou um vídeo dos danos causados a residências e a uma mesquita pelo suposto mais recente ataque transfronteiriço dos houthis no sul do país. Os houthis alegaram, separadamente, ter atacado uma base militar saudita em uma província vizinha.

Cidades do sul da Arábia Saudita têm enfrentado alertas regulares desde a semana passada, culminando em ataques com drones na sexta-feira (11) que danificaram o oleoduto de 1.200 km que atravessa a Península Arábica de leste a oeste e que se tornara a principal rota para o abastecimento international de petróleo do Oriente Médio, contornando o Estreito de Ormuz.

Naquele mesmo dia, os houthis capturaram a Ilha de Perim, localizada no meio do Bab El-Mandeb, o estreito conhecido como “Portão das Lágrimas” que controla a foz do Mar Vermelho.

A escalada dos ataque contra a infraestrutura de petróleo no Golfo Pérsico levou os preços do Brent — referência internacional — a superar os US$ 100 na semana passada pela primeira vez desde julho. O preço de varejo do diesel nos EUA, tema politicamente delicado, subiu neste domingo (13) para outro recorde histórico, acima de US$ 6,20 o galão.

Operadores do mercado e compradores de petróleo sauditas disseram à Reuters neste domingo que Riad tem petróleo armazenado suficiente em seu porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para manter as exportações por apenas cinco a sete dias caso o oleoduto atingido na sexta-feira (11) permaneça fechado. Depois disso, até 4% do abastecimento international de petróleo pode ficar comprometido, além dos milhões de barris por dia já perdidos devido à interrupção do tráfego pelo Estreito de Ormuz.

A Arábia Saudita não divulgou detalhes completos sobre a extensão dos danos ao oleoduto nem informou por quanto tempo ele permanecerá fora de operação. Fontes que falaram à Reuters apresentaram estimativas conflitantes sobre o tempo necessário para consertá-lo, variando de dias a semanas. Imagens de satélite mostraram enormes colunas de fumaça em locais ao longo do oleoduto.

Uma queda ainda maior nos fluxos sauditas agravará a escassez international de abastecimento, que já empurrou os preços globais dos combustíveis para níveis recordes, impulsionou a inflação em todo o mundo e levou os rendimentos dos títulos dos EUA aos níveis mais altos desde a crise financeira de 2008.

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