Friday, October 2, 2026
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Pix para bets cai e já migra para outros setores, afirma Durigan | Brasil

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que, após a edição da medida provisória que proibiu as bets, o governo já percebe uma redução nas transações through Pix destinadas às casas de apostas e indícios de que o dinheiro está sendo direcionado para outros setores da economia.

“Isso vai ser bem apurado pelas várias equipes, mas teve sim uma redução do uso do Pix, identificada pelo Banco Central, identificada pelos bancos. E a gente segue estudando para entender qual é a movimentação, mas o indício que a gente tem hoje é que o dinheiro está indo para outros setores da economia já com uma redução do Pix para as bets”, disse após reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

Como mostrou o Valor, o número de transações de Pix caiu cerca de 10% nos três dias após o governo publicar a MP proibindo as bets. Para parte da indústria bancária, a proibição é vista com bons olhos, já que de fato há muitos indicadores de que as bets estavam corroendo o orçamento das famílias, especialmente de baixa renda, e, assim, afetando a inadimplência. Ainda assim, há críticas sobre a insegurança jurídica.

Durigan também fez um balanço das medidas adotadas após a edição da MP. Segundo informações obtidas pelo governo em parceria com o Banco Central, antes da entrada em vigor da medida, cerca de R$ 600 milhões eram movimentados diariamente para as casas de apostas. Esse fluxo, segundo o ministro, foi “basicamente anulado” a partir do dia seguinte à edição da MP.

O saldo mantido nas contas das casas de apostas também caiu. Segundo Durigan, havia R$ 2,1 bilhões nas contas até a sexta-feira passada. Desde então, houve uma redução de mais de 30%, ou R$ 652 milhões, levando o saldo remanescente para cerca de R$ 1,4 bilhão. Cerca de 11 casas de apostas, até então legalizadas, concentram grande parte desses recursos.

O ministro informou ainda que a fiscalização identificou 48 contas, supostamente de pessoas físicas, com saldo superior a R$ 500 mil. Durigan disse que esses casos passarão por uma análise mais detalhada diante do quantity de recursos.

Questionado se as contas poderiam estar relacionadas à lavagem de dinheiro, respondeu que “pode ser que sim”. “Não estou dizendo que todas são, mas há uma movimentação que discrepa do grosso das contas que tinham recurso em apostas e podem sim estar sujeitas a alguma investigação”, acrescentou.

Ele disse ainda que 10 mil websites foram identificados e encaminhados à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para derrubada, o que deve ocorrer em “questão de horas”. Antes disso, cerca de 78 mil websites já haviam sido retirados do ar.

Além dos websites, a fiscalização atua sobre perfis, grupos em plataformas de mensagens e influenciadores que promovem apostas. Segundo Durigan, os conteúdos retirados do ar alcançavam até 3,5 milhões de usuários digitais, que agora deixam de receber incentivos às apostas por redes sociais e plataformas de mensagens.

Durigan voltou a pedir que os apostadores que ainda tenham dinheiro nas plataformas façam a retirada voluntariamente até segunda-feira (5). “O jeito mais simples e fácil da pessoa pegar o seu dinheiro de volta é entrar no web site e retomar o dinheiro até segunda-feira, dia 5, fim do dia”, afirmou. Os websites e aplicativos sairão do ar em 6 de outubro.

Quem não fizer a retirada dentro do prazo receberá posteriormente os recursos por meio dos bancos que operam para as bets. Caso haja alguma dificuldade nesse processo, a Caixa Econômica Federal servirá como última instância para intermediar a devolução dos recursos.

O ministro afirmou ainda que o governo está aberto a negociar com o Congresso a aprovação da MP. Ele próprio já conversou com o líder do Congresso e o Poder Executivo estará à disposição para defender a medida durante a tramitação.

Durigan ainda confirmou que o governo não editará nesta sexta-feira a medida provisória (MP) que definirá as alíquotas do Imposto Seletivo. Para que a cobrança pudesse começar em 1º de janeiro de 2027, a medida precisaria ser publicada até esta sexta, em razão da regra da noventena, que exige um intervalo mínimo de 90 dias entre a publicação da norma e o início da cobrança.

Como antecipou o Valor, o governo decidiu deixar a publicação da MP para depois do segundo turno das eleições. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (1º), em reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e Dario Durigan (Fazenda).

Um dos temores da ala política do governo period de que a medida provisória que trata do Imposto Seletivo fosse explorada eleitoralmente pela oposição. Assim, pesou a decisão política, a despeito dos esforços da Fazenda de fechar um acordo com os setores envolvidos na tributação para facilitar a tramitação no Congresso Nacional.

O Imposto Seletivo foi criado pela reforma tributária do consumo para valer a partir de 2027. Ele tem natureza regulatória, visando a desincentivar o consumo de bens e serviços que fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. O tributo vai incidir sobre: veículos; embarcações e aeronaves; cigarros e demais produtos com tabaco; bebidas alcoólicas; bebidas açucaradas (refrigerantes e outros); bens minerais; concursos de prognósticos e fantasy sport (bets, que posteriormente foram proibidas pelo governo).

As alíquotas e as regras de cobrança ficaram para serem definidas até este ano, por meio de uma lei ordinária, para que haja a cobrança em 2027.

Dario Durigan — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
Dario Durigan — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

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