O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira que não há relação direta entre a retirada repentina de bombardeiros americanos de uma base aérea britânica e um suposto plano iraniano contra o native na semana passada.
As aeronaves estavam estacionadas na RAF Fairford, principal base europeia para bombardeiros americanos, e haviam sido usadas recentemente em ataques dos EUA contra o Irã. Na semana passada, cinco britânicos foram presos perto da base — que a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) já havia classificado como alvo legítimo — sob suspeita de preparar atos terroristas.
“Eu não relacionaria diretamente isso à decisão que foi tomada”, disse Rubio a jornalistas ao ser questionado sobre os bombardeiros B-1. “O Departamento de Guerra está constantemente realocando recursos para onde eles são necessários”, acrescentou
Uma fonte militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) havia afirmado nesta segunda-feira: “Ainda se acredita que o Irã represente uma ameaça aguda aos ativos dos EUA no Reino Unido”.
Embora muitos aspectos do incidente continuem sem explicação, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que qualquer plano provavelmente teria o apoio do Irã.
O Irã disse que as acusações de envolvimento em qualquer plano são infundadas, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, escreveu no X: “Posso confirmar a convicção do Irã de que libertar supostos terroristas que trabalham para Estados estrangeiros diz tudo. Vocês estão procurando no lugar errado.”
Base estratégica para ataques dos EUA
Rubio afirmou nesta segunda-feira que os EUA confiam na segurança de todas as suas bases. Fairford, localizada 145 km a oeste de Londres, é uma das bases mais importantes dos EUA na Europa e uma das poucas adequadas para bombardeiros pesados como os B-1. A base desempenhou papel importante em campanhas americanas anteriores no Oriente Médio, embora os bombardeiros não permaneçam estacionados ali de forma permanente.
Durante o conflito atual, os EUA tinham autorização para usar Fairford apenas para atacar instalações de mísseis iranianas envolvidas em ataques contra navios no estreito de Ormuz, nas chamadas operações defensivas. Londres havia recusado autorização para que as forças americanas utilizassem bases britânicas em ataques ofensivos contra o Irã.
Essa postura provocou tensões nas relações entre EUA e Reino Unido, tradicionalmente um dos aliados mais próximos de Washington.
Uma autoridade do Pentágono confirmou no domingo que todos os bombardeiros americanos enviados a Fairford haviam retornado às suas bases de origem nos EUA.
O Pentágono afirmou que a força de bombardeiros dos EUA continuava pronta para realizar ataques de precisão em escala world “em qualquer lugar, a qualquer momento”.
O New York Instances, citando duas autoridades americanas, afirmou que os EUA se apressaram no fim de semana para retirar os bombardeiros depois que comandantes receberam novas informações sobre ameaças relacionadas a um plano apoiado pelo Irã. Segundo o jornal, algumas aeronaves partiram enquanto aviões de reabastecimento em voo ainda estavam sendo mobilizados.
Uma autoridade americana não quis comentar. O governo britânico também não comentou, embora um porta-voz de Burnham tenha afirmado que a base estava segura.
Christoph Bergs, analista do centro de estudos de defesa Royal United Providers Institute, disse que a realocação reduziria, no curto prazo, a capacidade dos Estados Unidos “de aumentar rapidamente o número de missões contra o Irã, reduzindo um pouco o nível da ameaça”.
Ele observou, porém, que o uso de Fairford já period limitado pela exigência de Londres de que a base fosse utilizada apenas para ataques defensivos. As aeronaves poderiam agora ser enviadas para Diego Garcia ou para bases no Golfo, reduzindo a necessidade de mais reabastecimentos em voo para compensar a distância adicional, mas isso dependeria da capacidade disponível, de negociações com aliados e de questões de segurança, acrescentou.
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Plano previa ‘grandes danos’
Nas primeiras horas de 27 de setembro, cinco britânicos na faixa dos 20 anos foram presos depois de serem vistos correndo para campos a partir de três vans brancas estacionadas perto da base. A polícia afirmou que nenhum artefato explosivo foi encontrado, mas havia uma quantidade de gasolina nos veículos.
Os homens foram posteriormente libertados sob fiança. Um sexto homem, com cidadania britânica e iraniana, preso quatro dias depois sob suspeita de preparar atos terroristas, também foi libertado sob fiança.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na época das primeiras prisões que o plano previa causar “grandes danos” e que poderia estar relacionado ao Irã. Trump disse posteriormente que não teria libertado os suspeitos sob fiança.
Uma alta autoridade militar da Otan afirmou que a retirada dos bombardeiros não teria impacto sobre a aliança: “A capacidade defensiva da Otan diante de qualquer agressão permanece inalterada e incomparável graças à unidade, à força e às capacidades combinadas de 32 países.”
O Wall Road Journal foi o primeiro a noticiar a retirada dos bombardeiros americanos.
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