Wednesday, September 30, 2026
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Trabalhadores brasileiros se dividem em 4 perfis financeiros, mostra Serasa | Brasil

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Trabalhadores com rendas semelhantes podem ter situações financeiras bastante diferentes, mostra levantamento da Serasa Experian. Entre os que recebem de dois a quatro salários mínimos, 43% estão no perfil “apertados”, enquanto 47% estão “organizando o futuro”. Apesar da faixa de renda parecida, apenas 12% dos primeiros chegam ao fim do mês com dinheiro suficiente, ante 49% do segundo grupo.

A pesquisa “Perfil do Trabalhador Brasileiro” entrevistou 1.008 funcionários de empresas públicas, empresas privadas em regime CLT e profissionais em regime PJ, com objetivo principal de identificar o comportamento deles em relação às próprias finanças . O levantamento mapeou quatro perfis: “Apertados”, “Vivendo o agora”, “Organizando o futuro” e “Consolidados”.

“Não estamos falando aqui só de quem tem maior ou menor renda, mas de perfil de gasto, perfil de comportamento, preocupação com o futuro versus comportamento relacionado a atender uma demanda mais de curto prazo”, explica Délber Lage, diretor de soluções para RH da Serasa Experian.

Segundo a pesquisa, os “apertados” querem se organizar, mas têm uma realidade financeira limitada e são, em sua maioria, mulheres (70%), afirma a pesquisa. Eles reconhecem que têm baixo controle financeiro, 62% estão inadimplentes e 55% foram negativados nos últimos 12 meses. Apenas 12% dos trabalhadores neste perfil chegam ao fim do mês com dinheiro suficiente.

Aqueles que “vivem o agora” têm maior foco no presente, têm menos planejamento financeiro e são majoritariamente homens (52%). Na pesquisa, eles deram a si mesmos uma nota alta de controle financeiro (7,23 de 10), mas, contraditoriamente, 66% afirmaram que foram negativados nos últimos 12 meses. Neste perfil, 28% chegam ao fim do mês com dinheiro suficiente.

Na outra ponta, aqueles que estão “organizando o futuro” buscam equilíbrio e têm maior controle financeiro. As mulheres também são maioria nesse grupo, com 61%. Apenas 24% foram negativados nos últimos 12 meses, e quase metade (49%) chega ao fim do mês com dinheiro suficiente.

Já os “Consolidados” estão financeiramente estruturados, com segurança e foco em estabilidade. São os entrevistados mais velhos e também têm maioria de mulheres (56%), com média de idade de 43 anos. Apenas 7% estão inadimplentes, 6% foram negativados nos últimos 12 meses e 79% chegam ao fim do mês com dinheiro.

Entre os “consolidados”, 85% dos trabalhadores afirmam guardar dinheiro pensando no futuro, ante 52% na média dos entrevistados. A diferença é expressiva em relação aos “apertados”, dos quais apenas 13% mantêm esse hábito.

Lage destaca que uma renda acquainted mais alta não significa, necessariamente, estar no perfil “consolidado”. Ele explica que é preciso considerar a realidade financeira de cada família, já que chegar a esse perfil não depende apenas do hábito de poupar. Em muitos casos, afirma, as restrições financeiras impedem que as pessoas tenham a opção de guardar dinheiro.

“Tem a vida no entorno dessas pessoas, o contexto de muitos problemas e restrições que vão fazer com que elas tenham que empenhar todos os seus recursos nas despesas mensais. Obviamente, aquela situação de aperto vai se refletir em uma incapacidade de poupança”, afirma.

Uma das formas do brasileiro conseguir comprar é por meio do parcelamento, mas alguns perfis dependem mais desse recurso. Segundo a pesquisa, 91% dos integrantes do perfil “apertados” e 88% daqueles que estão “organizando o futuro” afirmam que essa é a única forma de conseguir comprar algumas coisas. A menor porcentagem está entre aqueles que “vivem o agora” (47%), enquanto os “consolidados” representam 58%.

“As causas para essa utilização são diferentes. Aqueles ‘apertados’ muitas vezes estão recorrendo a um perfil de crédito emergencial, com taxas de juros mais altas, e muitas vezes esse crédito vai ser aquela gota que vai fazer o balde transbordar”, afirma Lage.

Uma parcela dos “apertados” também cita que os empréstimos impedem que sobre dinheiro no fim do mês (52%). Na outra ponta, a menor porcentagem está entre aqueles que estão “organizando o futuro” (19%), seguidos pelos “consolidados” (22%) e, por fim, por aqueles que “Vivem o agora” (33%).

 — Foto: Pixabay
— Foto: Pixabay

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